Trocando ideias
O que penso, sinto, escrevo, acredito, sonho e compartilho com você.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Eleições e economia
AÉCIO NEVES, Folha de S. Paulo, 8/10/12
As eleições realizadas ontem, em primeiro turno, e as últimas notícias sobre o desempenho da economia dominam, neste momento, o interesse dos brasileiros em razão das repercussões que têm sobre a vida nacional.
Pelo voto livre e soberano, o pleito reafirma a força da nossa democracia, expressa no encontro de milhares de candidatos e de milhões de eleitores nas urnas dos mais de 5.000 municípios brasileiros e no amplo debate sobre os problemas nacionais que incidem de forma aguda na realidade das nossas cidades: corrupção, gestão precária, saúde ruim, educação sem qualidade, o avanço da violência e os crescentes desafios na área da mobilidade urbana.
Na economia, relatório divulgado pela Cepal aponta que o Brasil crescerá apenas 1,6% neste ano. É o segundo pior resultado entre os 20 países analisados da América Latina e do Caribe, superior apenas ao do Paraguai e atrás de Panamá, Haiti, Peru, México, Costa Rica e Bolívia.
Referendado também por órgãos do próprio governo, como o Banco Central, o resultado desmente as previsões fantasiosas com as quais o governo tentou falsear a realidade.
O número da Cepal já havia sido antecipado por instituições financeiras internacionais e, à época, foi classificado como "piada" por nossas autoridades econômicas, que passaram o ano anunciando crescimento em patamar muito superior. Vê-se agora, de fato, com quem estava a realidade, neste lamentável espetáculo do PIB em queda livre.
Mesmo com tantas evidências, o governo insiste em debitar na conta de outros países a responsabilidade exclusiva sobre o problema, em vez de fazer o seu próprio dever de casa. Ao agir assim, cumpre agenda que atende outros interesses, sem se preocupar com os efeitos deletérios dessa estratégia, que condena o país a um crescimento medíocre, como nos dois últimos anos, e põe em risco a perspectiva brasileira como nação emergente.
Com o esgotamento das medidas emergenciais para tentar salvar o ano eleitoral --e a constatação de que não funcionou, como antes, o tripé oferta de crédito, queda das taxas de juros e benemerências fiscais a setores produtivos--, resta-nos voltar à cobrança das reformas ainda por fazer, único caminho para assegurar competitividade à economia e recolocar o país no rumo de um crescimento sustentado e duradouro.
Ao fim do ano eleitoral, o governo terá de se haver com os antigos desafios que se agravaram sem resposta: o peso dos impostos, o excesso de burocracia, juros ainda nas alturas, legislação trabalhista do século passado, inércia e incompetência para desatar o nó da infraestrutura, entre tantos outros que entravam o desenvolvimento nacional.
Aécio Neves é senador pelo PSDB-MG. Foi governador de Minas Gerais entre 2003 e 2010. É formado em economia pela PUC-MG.
Quem sou
Vídeo veiculado na TV durante a campanha eleitoral de 2012 em Cachoeira do Sul (RS), com a candidatura para Vereador pelo PSDB
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Não vim para atrapalhar
Na minha opinião, cavaletes e carros-som servem apenas para atrapalhar a vida das pessoas. Por isso, não uso nenhum deles na minha campanha eleitoral para vereador. Duvido que alguém escolha seu candidato baseado nestes dois tipos propaganda, mas mesmo se estiver errado, manterei meus princípios.
Os cavaletes dos outros candidatos estão deixando ainda mais feios os canteiros da Rua 7 de Setembro. Lembro quando ela e a Praça José Bonifácio eram um dos belos cartões postais da nossa cidade. Sua situação atual reflete muito o que virou Cachoeira, uma terra sem esperanças, que vive de promessas e de sonhos. Isso na visão dos cachoeirenses, é claro. Os que vêm de fora enxergam aqui muitas oportunidades, investem e lucram.
Talvez estejamos muito ocupados desviando dos buracos nas ruas e nas calçadas, dos pedintes, vendedores ambulantes e... dos cavaletes. Esbarramos neles quando tentamos sair do carro, nas esquinas, em qualquer lugar. Acho ótimo que a Justiça Eleitoral tenha proibido a colocação de propaganda eleitoral nos postes, aquele horror, mas a medida deve ser estendida aos cavaletes nas calçadas. Eu estou fora.
Já os carros-som e caminhões tipo trio elétrico são o inferno na terra. Invadem todos os lugares e não poupam ninguém com sua poluição sonora. Atrapalham quem está tentando falar ao telefone, acordam idosos, doentes e bebês. Eles e quem permite seu uso certamente ignoram que há pessoas que precisam descansar durante o dia, porque trabalham à noite ou estão doentes.
Além disso, estes veículos atravancam ainda mais o nosso já normalmente complicado trânsito. Rodam devagar demais na tentativa que “o povo” escute bem o jingle do candidato. Querem vencer no cansaço, na insistência, na lavagem cerebral. Provavelmente estão baseados na ideia de que isso já deu certo um dia.
Torço para que os cachoeirenses tenham evoluído e rejeitem estas práticas que de democráticas têm muito pouco. Espero que os anos de tentativas e erros tenham nos ensinado alguma coisa. Acredito que a compra de votos está condenada à derrota e que aqueles que atrapalham a vida das pessoas terão uma grande surpresa no dia 7 de outubro.
Se você concorda, venha comigo. Estamos fazendo a nossa parte para melhorar a vida de todos.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Porque sou candidato
Em uma frase: Porque amo a minha cidade, Cachoeira do Sul. Nasci no HCB, morei na Pinheiro Machado e depois na Silvio Scopel, até hoje. Fui estudar fora, trabalhei em Novo Hamburgo e Porto Alegre e voltei.
Voltei nunca me conformando com as coisas do jeito que são. Tudo o que fiz além da minha profissão foi procurando melhorar a vida dos cachoeirenses, seja nas entidades empresariais e comunitárias, clube de serviço, organizações não-governamentais, na coluna do jornal, entre amigos e onde pude contribuir.
Agora penso que chegou a vez de buscar soluções estando no Legislativo da minha cidade. Faz tempo que os amigos dizem que eu deveria tentar ser vereador. Na presidência da Defender isto não era possível, e ali fiquei 9 anos - os último três, vice do saudoso Eduardo Minssen e tendo que assumir quando ele precisou renunciar. A hora é esta.
Se os eleitores entenderem que posso contribuir na Câmara de Vereadores, ótimo. Caso não tenha votos suficientes, continuarei tentando ajudar a minha cidade na sociedade civil. Porque é a minha cidade e eu a amo.
Obrigado pela sua atenção.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Caixa preta
A viagem transcorria como o planejado, num dia ensolarado e de pouco movimento na estrada àquela hora da tarde. O forte calor que fazia lá fora não incomodava os dois ocupantes do automóvel. O ar-condicionado de última geração mantinha constantes os 17 graus. Pelos vidros escuros era possível ver como a vida se arrastava modorrenta ao redor daquela ilha de conforto. Pedalando para o trabalho, vindo da escola, dirigindo caminhão, consertando buracos no asfalto, toda a gente derretia.
Quem assistia tudo isto era o motorista do carro, pois o outro homem manipulava seu notebook recém lançado no Japão, o mais leve já produzido no mundo. Ele não podia reclamar da vida, ainda que o fizesse diariamente. Sua fortuna - não importa aqui a origem, apenas que não vinha de nada ilegal – permitia muitos luxos, como aquele veículo blindado e o motorista particular.
Na direção estava alguém com trinta anos de experiência e apenas três patrões na vida: o primeiro morreu de velho, o segundo mudou-se para uma praia paradisíaca para viver os últimos anos e aquele que estava sentado no banco de trás. Era o seu primeiro chefe mais novo que ele, dez anos mais novo. O motorista não entendia o seu mau-humor constante. Tudo parecia dar certo para aquele homem. As namoradas se revezavam no maior apartamento de cobertura do bairro, ele sabia porque as levava para suas casas. Sempre mulheres mais jovens que o patrão, todas lindas e parecidas, retocando constantemente a maquiagem e mexendo o cabelo. Nos poucos meses em que estava no emprego nunca tinha visto o homem nem espirrar. Fora o mau-humor, sua obsessão era o medo de sequestro. O motorista tinha certeza que ele não contratava um guarda-costas apenas porque confiava plenamente na segurança daquele carrão preto importado. Vidros e lataria blindados, pneus à prova de bala, uma fortaleza ambulante.
O único diálogo do dia entre os dois havia sido o nome da cidade para onde iriam e quanto tempo duraria a viagem. O motorista já se acostumara àquilo, era sempre assim. Nunca tinha ouvido uma pergunta do patrão, se estava bem, se tinha família, como a namorada havia chegado em casa, nada. Só havia o visto realmente feliz no dia em que recebera este novo computador portátil, o mais leve do mundo. Via pelo espelho e ouvia a satisfação do homem com a máquina, aprovando cada centavo do seu investimento. Era com aquilo que o patrão passava a maior parte do dia, imaginava o motorista. Conhecia pouco o apartamento, onde havia estado apenas para deixar compras feitas pelo patrão e encomendas. Esperava as ordens pelo celular, na garagem do edifício, passando o tempo lendo. Os empregos anteriores eram melhores, pois ele podia andar pelos jardins das mansões e bater papo com os outros empregados. O último patrão muitas vezes o convidou para jogar cartas na sala de estar, pena ter se mudado para a praia paradisíaca, onde não precisava mais de motorista particular.
A tranquilidade da viagem terminou no momento em que tudo parou de funcionar no carro. O motorista, incrédulo, viu o painel digital apagar-se totalmente, sentindo que o motor morria também. Tudo o que conseguiu fazer foi levar o veículo até o acostamento da estrada.
- O que aconteceu? – disse o homem, inaugurando sua capacidade de fazer perguntas.
- Não sei ainda, apagou tudo – respondeu o motorista, aparentemente calmo.
- Faça alguma coisa, não podemos permanecer aqui parados. E está ficando quente aqui dentro.
- Deve ter acontecido uma pane elétrica. Vou lá fora ver se o sinal do celular melhora e buscar ajuda.
Foi neste exato instante que os dois descobriram que tinham um grande problema nas mãos. A porta do carro não abriu. As quatro portas estavam bloqueadas automaticamente. Também não era possível abrir os vidros – a blindagem impede isso. Os dois imediatamente tentaram pedir ajuda pelo celular, mas não havia sinal naquele ponto da estrada.
- Isto é um absurdo! Quebre o vidro, já!
- Quebrar um vidro blindado? Com o quê? Eles resistem até tiros de pistola e não temos nenhuma ferramenta dentro deste carro. Também não vai adiantar acenar para quem passa, já que os vidros são escuros e ninguém vai nos ver pedindo socorro.
- Está ficando insuportável aqui dentro! A temperatura já deve ter passado dos 30 graus! Vou morrer aqui!
- A primeira coisa a fazer numa situação destas é tentar manter a calma. Alguém vai ver este carro parado aqui e oferecer ajuda.
- Essa é boa! Quem é que vai parar para oferecer ajuda? Podem passar horas até que alguém se dê conta que não chegamos e avise a polícia.
- Teríamos ainda quase três horas de viagem.
- Viu só? Até nos encontrarem aqui serão umas seis horas neste inferno! Eu não vou resistir! Eu preciso sair daqui agora!
- Não posso fazer nada, senhor. Eu também sou um ser humano, preciso de ar para respirar e estou completamente encharcado de suor. Vamos tentar economizar oxigênio respirando o mínimo possível e falando só o necessário, de preferência sussurrando.
- Eu não quero morrer assim – disse o homem, agora tentando falar mais baixo e menos ofegante. – Eu ainda tenho muita coisa para aproveitar da vida, muito dinheiro para gastar, muitos países para conhecer.
O motorista acenou com a cabeça, concordando com o patrão e preferindo não listar as coisas que ele próprio esperava ainda fazer na vida. O homem continuou:
- E tem as mulheres, puxa vida, quantas gatas ainda tenho pela frente! Elas me adoram, eu as encho de presentes, as levo para passear em lugares incríveis, aos melhores restaurantes, às melhores festas, às melhores praias... Elas fazem qualquer coisa por estas coisas!
- O senhor já amou de verdade alguma delas?
Por alguns segundos aquele homem tão poderoso esqueceu a sua pavorosa situação e olhou fixamente o motorista nos olhos, como se fosse a primeira vez que os visse. Não sabia onde encontrar a resposta para aquela pergunta. Pensou em dizer que amor é para os poetas e não para pessoas práticas e modernas como ele, mas não conseguiu. Isto o deixou mais furioso ainda. Sua fisionomia então se transformou. De desesperado ele passou a olhar com ódio para o motorista, que percebeu, afundando no banco de couro. Mas o homem não moveu um músculo, talvez porque seria um total absurdo iniciar uma briga naquela situação e talvez porque o motorista era evidentemente mais forte.
- A questão não é esta – disse o homem, agora olhando para o teto do automóvel e se expressando como se fosse um enólogo falando de vinhos – as mulheres estão aí para serem desfrutadas por homens como eu. Elas se vestem, se penteiam, se perfumam, passam horas na academia de ginástica, fazem implantes nos seios, tudo esperando que um cara como eu dê o paraíso para elas. Quando não encontram, sonham com um. Todas. A mulher do vendedor, a mulher do gerente, do porteiro do edifício, do meu professor de inglês, do homem que instalou esta maldita blindagem, todas as mulheres sonham em encontrar um cara como eu e salvar suas porcarias de vidas.
- Mas nenhuma mulher gostaria de estar ao seu lado agora – pensou o motorista. Pensou ou disse mesmo? O fato é que o homem no banco de trás parou o seu discurso, agora olhando encantado para os detalhes das janelas do seu ataúde de luxo, janelas que permitiam que ele visse tudo o que se passava lá fora e que impedia a visão do desespero dele. Será que ele abriria mão de todas suas posses em troca da liberdade que aqueles pobres coitados tinham de ir e vir e respirar com toda a força dos pulmões? Como isso nunca passou pela sua cabeça, nunca saberemos.
Enquanto isso, o motorista olhava para a fotografia da esposa, guardada na sua carteira. Ela vendia sapatos numa loja da periferia, usava dois ônibus para chegar à casinha financiada e era ótima mãe para os dois filhos pequenos do casal. É claro que ele sonhava em dar uma vida melhor para os três, mas tinha certeza que o seu patrão era o último homem da Terra com quem sua mulher sonharia. Só então ele pensou que não seria justo terminar a vida ali, ao lado dele.
Foram as luzes giratórias do carro da polícia rodoviária que estacionava atrás que interromperam seus pensamentos. O motorista imediatamente avisou seu colega de infortúnio que a salvação chegara. Ambos quase se abraçaram de alegria, que foi se desfazendo na medida em que o policial olhava o veículo sem nada encontrar. Os dois começaram então a bater com as mãos nos vidros, com pouco resultado. A blindagem era boa mesmo. Não se sabe ao certo se foi o ruído da chave do motorista contra a lataria ou o barulho do notebook mais leve do mundo se desmanchando contra as janelas o que chamou a atenção do patrulheiro. Ao olhar melhor pelo vidro da frente, menos escuro, ele percebeu a situação. Levou mais uma hora para que chegasse a tesoura pneumática do Corpo de Bombeiros, que começou a abrir o carrão preto importado como uma lata de sardinhas, trazendo as primeiras lufadas de oxigênio.
Os dois homens nunca mais se viram depois disto. O motorista pediu demissão e soube que o seu ex-patrão processou a importadora do carrão e agora tinha outro, também preto e todo blindado, mas com teto solar – manual.
Hoje o ex-motorista só lembra aquela tarde quando escuta que caiu um avião e estão procurando um equipamento pintado de laranja, mas que todos chamam de caixa preta.
20/12/2009
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Papo inicial
Escrevo desde sempre. Bilhetes, cartas, frases, crônicas. Profissionalmente, desde 1984. Há muito pensava em fazer um blog, mas o que dizer? E quem se interessaria em ler? Decidi que estava na hora de tirar da gaveta coisas escritas. Alguém vai ver? Talvez. Vão gostar? Não sei. Irão copiar e publicar com outro nome? Seria a glória!
A gente não sabe porque escreve, é fato. Uma vez que se começa, impossível parar. Mas eu praticamente parei de escrever crônicas (ou contos?) quando começaram a me pagar para escrever. O dia a dia no jornal em Novo Hamburgo travou a criação literária. Os empregos seguintes, como redator publicitário, também. Raramente sobrava inspiração para cometer contos (ou crônicas?).
Voltar para Cachoeira do Sul, a terra natal, me reconciliou com os temas da adolescência e resolvi datilografar (sim, era como digitar e imprimir ao mesmo tempo, procure no Google) os textos. E mudá-los - então parei. Não era a hora.
A sina de escrever era saciada fazendo discursos e editoriais para amigos e clientes. Até que o Jornal do Povo me convidou para escrever uma coluna semanal sobre negócios, que depois virou diária e durou cinco anos. Mais tarde voltei a fazer a coluna que está aí até hoje, nas edições de final de semana. Vício não é fácil de largar.
Drawing Hands, de Maurits Cornelis Escher (1898-1972)
Agora começa esta exposição exagerada de publicar neste blog. Tenho a esperança que os amigos ajudem a melhorar tudo, desde as ideias até a forma. A crítica ajuda mais do que qualquer coisa, então critiquem, por favor.
Além das crônicas/contos tirados do baú, vou me atrever a postar o que penso sobre Cachoeira do Sul. É a "minha aldeia", mais importante para mim que o estado, o país, o planeta e o universo. É aqui que tenho a vontade de fazer a diferença, participando de movimentos, de ações, da vida comunitária. Faço isto do jeito que sei, se souber de um melhor avise. Afinal, o título deste blog é "Trocando ideias".
E vamos em frente!
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